{"id":71422,"date":"2017-12-01T16:40:21","date_gmt":"2024-12-09T01:02:45","guid":{"rendered":"https:\/\/oqo.es\/product\/maruxa\/"},"modified":"2025-02-13T01:05:04","modified_gmt":"2025-02-13T00:05:04","slug":"maruxa","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/oqo.es\/pt-pt\/produto\/maruxa\/","title":{"rendered":"Maruxa"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Maruxa e Zezinho viviam na aldeia. Maruxa lavrava, cosia e varria. Zezinho folgava, cantava e dormia. Mas um belo dia\u2026 <\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2026 Maruxa decide dar uma li\u00e7\u00e3o ao marido. Astuta e com grande habilidade no uso da ironia, consegue que Zezinho tome consci\u00eancia de que o trabalho de casa est\u00e1 mal distribu\u00eddo e, assim, mude de atitude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este livro \u00e9 baseado na can\u00e7\u00e3o popular polaca Maryna gotuj pierogi, uma das mais conhecidas do repert\u00f3rio folcl\u00f3rico do pa\u00eds. Existem diversas vers\u00f5es feitas por orquestras sinf\u00f3nicas, solistas, grupos de jazz, rock&#8230; Este texto, em versos de seis s\u00edlabas, procura manter o ritmo da can\u00e7\u00e3o original. Tal como a can\u00e7\u00e3o tradicional, a autora apresenta a hist\u00f3ria em forma de di\u00e1logo, j\u00e1 que o conto se baseia principalmente na disputa que Maruxa e o marido, Zezinho, iniciam quando este lhe pede que lhe fa\u00e7a p\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o tradicional, Zezinho reclama uns pierogi, um dos pratos t\u00edpicos da Pol\u00f3nia (uma esp\u00e9cie de ravi\u00f3lis recheados de carne, vegetais&#8230;) e a mulher nega-se repetidamente, alegando que lhe faltam, um a um, todos os ingredientes: farinha, \u00e1gua, sal e carne&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, nesta vers\u00e3o optou-se por substituir os pierogi por p\u00e3o, um alimento comum a todas as culturas e que permite universalizar a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as mais significativas relativamente \u00e0 can\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 se limitam ao alimento principal, mas tamb\u00e9m ao final da hist\u00f3ria. Assim, a rea\u00e7\u00e3o violenta que Zezinho manifesta nalguma vers\u00e3o polaca \u2014 quando a mulher, afinal, decide n\u00e3o lhe preparar a comida \u2014 \u00e9 substitu\u00edda neste \u00e1lbum por uma atitude compreensiva e de empatia face \u00e0 esposa, mantendo assim o tom humor\u00edstico que carateriza todo o conto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Da vers\u00e3o inicial, a autora decidiu manter e real\u00e7ar: a ideia original, o sentido de humor, a estrutura acumulativa, versificada e rimada, t\u00e3o pr\u00f3pria de contos e cantos da tradi\u00e7\u00e3o oral. Este texto permite ser cantado a ritmo de tr\u00eas por quatro mantendo a m\u00fasica de origem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De igual modo, o \u00e1lbum ilustrado oferece o mesmo argumento que la can\u00e7\u00e3o: a protagonista alega n\u00e3o poder fazer o p\u00e3o porque lhe faltam todos os ingredientes (farinha, \u00e1gua, levedura e sal). Ent\u00e3o, decide pedir ao marido que os v\u00e1 buscar. S\u00f3 que, em jeito de reprimenda instrutiva, vai-lhos pedindo um a um, com o esfor\u00e7o que isto implica a Zezinho. Um a um, ele vai fazendo todos os recados cada vez mais desmesurados como o de ir buscar sal ao mar, mas depara-se sempre com o facto de voltar a faltar algo e tem de empreender uma nova e esfor\u00e7ada aventura para o conseguir. Quando, por fim, Maruxa tem todos os elementos, diz, ironicamente, que est\u00e1 muito cansada e ter\u00e1 de ser tamb\u00e9m ele a amassar o p\u00e3o. Portanto, atrav\u00e9s do engenho e do sentido de humor, consegue que Zezinho entenda, por experi\u00eancia pr\u00f3pria, a injusti\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o que ela vivera at\u00e9 ent\u00e3o, e compreenda que, tanto o trabalho como o lazer, devem ser coisa dos dois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este \u00e9 a verdadeira base da hist\u00f3ria: a mudan\u00e7a de atitude de Zezinho em rela\u00e7\u00e3o a Maruxa, que se evidencia e refor\u00e7a atrav\u00e9s do trabalho da ilustradora portuguesa <strong>Mafalda Milh\u00f5es<\/strong>. A artista portuguesa revela esta evolu\u00e7\u00e3o da personagem nas folhas de guarda, capa, folha de rosto e folha da ficha t\u00e9cnica. Nelas, o leitor encontra uma contextualiza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e posterior \u00e0 a\u00e7\u00e3o do texto, que realmente se produz num s\u00f3 dia, tal como indicam as refei\u00e7\u00f5es (pequeno-almo\u00e7o, almo\u00e7o, lanche e jantar), e a luz das imagens (que v\u00e3o da claridade pr\u00f3pria do amanhecer, at\u00e9 ao azul-escuro quase preto do c\u00e9u ao fim do dia). Deste modo, nas folhas de guarda do in\u00edcio do \u00e1lbum, pode ver-se uma Maruxa totalmente entregue \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas, enquanto que Benito, pregui\u00e7oso, n\u00e3o colabora em absoluto. Um comportamento que se transforma radicalmente nas folhas de guarda do final onde participa nos trabalhos de casa e ajuda a sua mulher. Na contracapa, os dois comem, felizes, o p\u00e3o, que aparece pela primeira vez j\u00e1 feito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As ilustra\u00e7\u00f5es de <strong>Mafalda Milh\u00f5es<\/strong> tamb\u00e9m nos fornecem informa\u00e7\u00f5es-chave acerca dos protagonistas. Ao carateriz\u00e1-los com tra\u00e7os hiperb\u00f3licos, descobrimos com clareza quando est\u00e3o aborrecidos, tristes, a tramar alguma\u2026 De igual modo, n\u00e3o faltam nas p\u00e1ginas deste \u00e1lbum os pormenores, t\u00e3o carater\u00edsticos na artista portuguesa, que transportam o leitor para o universo da cozinha e da Pol\u00f3nia (moinhos, paisagens e bairros t\u00edpicos polacos), tal como a presen\u00e7a constante do c\u00e3ozinho que os acompanha e que, de certa forma, \u00e9 c\u00famplice da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para al\u00e9m disto, a ilustradora, piscando o olho ao leitor, decide jogar com a descontextualiza\u00e7\u00e3o, tanto nos muitos objetos e eletrodom\u00e9sticos que podemos descobrir na casa do casal (reprodu\u00e7\u00e3o de um lar tradicional, mas em que h\u00e1 m\u00e1quina da roupa, computador\u2026), como na pr\u00f3pria protagonista. Assim, Maruxa, apesar de cozinhar e limpar, n\u00e3o deixa de ser uma mulher atual e moderna, que usa as novas tecnologias e luta pelo reconhecimento dos seus direitos.<br \/>\nEm todo o momento, tanto o texto como a imagem procuram transmitir uma mensagem onde o sentido de humor \u00e9 protagonista, ao mesmo tempo que pretendem deixar um ensinamento para a reflex\u00e3o dos pequenos leitores: sabermo-nos p\u00f4r na pele dos outros ajuda-nos a ver as coisas de outra perspetiva, criar empatia com eles e, consequentemente, sermos mais justos e mais solid\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pr\u00e9mio Cookbokk Gpurmand 2014 na categoria &#8220;Melhor Livro de Receitas com Ilustra\u00e7\u00f5es&#8221; na sua edi\u00e7\u00e3o galega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Texto de Eva Mejuto baseado na can\u00e7\u00e3o popular polaca<br \/>\nIlustra\u00e7\u00f5es de Mafalda Milh\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maruxa e Zezinho viviam na aldeia. Maruxa lavrava, cosia e varria. Zezinho folgava, cantava e dormia. Mas um belo dia\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u2026 Maruxa decide dar uma li\u00e7\u00e3o ao marido. 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