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As aventuras do Ursinho

Helga Bansch

ISBN 978-84-9871-338-1

13,50

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INFORMACIÓN
  • Páginas 36 págs.
  • Encuadernación cartonado
  • Medidas 25x23 cm
  • Publicación maio 2012

Aquele homem chegava no momento certo, porque o Ursinho não tinha vontade nenhuma de ficar na sua gruta durante o inverno todo. Ursinho, muito contente, exclamou: — Vou em busca de aventuras! E lá foi com o músico.

Entusiasmado e cheio de expectativas, Ursinho empreende esta aventura que não consiste apenas num percurso espacio-temporal, mas sim, principalmente, vital. As aventuras do Ursinho é uma metáfora da vida, como costuma acontecer com os relatos de viagens.


Descrição

Aquele homem chegava no momento certo, porque o Ursinho não tinha vontade nenhuma de ficar na sua gruta durante o inverno todo. Ursinho, muito contente, exclamou: — Vou em busca de aventuras! E lá foi com o músico.

Entusiasmado e cheio de expectativas, Ursinho empreende esta aventura que não consiste apenas num percurso espacio-temporal, mas sim, principalmente, vital. As aventuras do Ursinho é uma metáfora da vida, como costuma acontecer com os relatos de viagens.

Ao longo de um ano o protagonista ? e com ele, o leitor ? vai conhecer lugares diferentes, vai descobrir e afiançar o seu potencial e particular talento, vai fazer novos amigos e, acima de tudo, vai realizar o seu sonho: conhecer o mar.

Este périplo está cheio de encontros mas também de desencontros, como a própria vida, embora não sejam amargos: … o músico queria ir para norte e o Ursinho queria ir para sul, para o mar, claro! Como não chegaram a acordo, despediram-se num cruzamento e cada um foi para seu lado.

A ausência de dissabores neste percurso deve-se, sem dúvida, ao caráter feliz, vivo e otimista do Ursinho, que contagia aqueles que estão com ele, onde quer que se encontre e que impregna toda a história: De dia trabalhava num hotel junto ao mar. Andavam todos atarefados, mas, com ele na cozinha, era impossível aborrecer-se no trabalho.

As aventuras do Ursinho é também uma viagem de aprendizagem e de passagem para a maturidade, com tudo o que isso significa. Entre outras muitas coisas, a mudança de interesses e prioridades. Desta forma, no início da história são as abelhas que despertam o seu interesse: Depois de se saciar de mel, viu as abelhas a esvoaçar em seu redor, e pensou: Que farão as abelhas durante o inverno?

Nesse momento estava preocupado com o seu futuro próximo (hibernar no inverno), o que o leva a perguntar: O que se passará no mundo enquanto estou a dormir? (Daí a interrogação O que farão as abelhas…?), o que aumenta a sua necessidade de saber se há algo de melhor que ele está a perder e se a sua vida pode ser mais plena. É isto que o move a viajar e a conhecer mundo.

Porém, quando regressa a casa ? emocionalmente mais maduro ? e uma abelha o acorda da sua sesta, e apesar da proximidade do inverno de novo, não é isso que prende a sua atenção e os seus pensamentos, mas sim uma linda ursinha. Acaba uma aventura e começa outra. Assim, ciclicamente, como as quatro estações, com importante protagonismo neste álbum. Cada uma delas marca e contextualiza — no texto ou nas imagens — cada etapa da viagem.

Com As aventuras do Ursinho, Helga Bansch repete a sua experiência na OQO como autora e ilustradora, tal como fez com Petra, apesar de a sua colaboração com a editorial já remontar aos inícios da mesma: Quiquiriqui, Chocolata (Prémio Internacional de Literatura Infantil 2007 pela fundação Espace Enfants da Suíça), O sonho do ursinho rosa e Os três porquinhos.

A artista austríaca divertiu-se ao criar esta história porque um dos seus passatempos favoritos é viajar: “Gosto de estar na natureza em todas as estações, ver gente e conhecer o seu estilo de vida diferente: é fascinante e aprendo muito”. Uma atitude entusiasta que coincide com a do Ursinho, o seu alter ego: “Quando já viajei suficientemente, é maravilhoso voltar a casa outra vez”, reflexão de Helga Bansch implícita no desenlace da história.

A intencionalidade no momento de criar a história e a personagem reflete-se com eficácia no álbum: “Escrevi a história de um urso que aprende coisas novas e diferentes que são úteis na sua vida posterior. Adoro o protagonista porque é curioso, corajoso, cheio de espírito empreendedor, capaz de fazer amigos e de aproveitar cada momento da sua vida”.

A empatia de Helga Bansch é evidente no texto e nas imagens coloridas e vivas. As ilustrações neste álbum ? e em todos os seus trabalhos ? têm garantidas leituras paratextuais, como um contraponto perfeito ao texto.

Para tal, joga com pormenores (os originais estampados das calças do Ursinho ou o mapa-múndi com que reveste o corpo das abelhas) com que as crianças podem recrear e estimular a sua imaginação.

Do mesmo modo, oferece uma ampla e terna gama de personagens secundárias que nos divertem, surpreendem e emocionam com histórias paralelas (o casal de ratinhos e coelhos). Desta forma consegue, como é habitual nela, novas leituras, mais ricas e sugestivas, que incitam a abrir o livro uma e outra vez.

As histórias dos outros animais que nos oferece apenas em imagens não são alheias à do Ursinho preparando o leitor para o desenlace da história e confirmam, finalmente, o que parece estar presente em todo o livro, que o amor está no ar.

 

Texto e ilustrações de Helga Bansch

Tradução do espanhol Ângela Barroqueiro