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Árvores no caminho

Régine Raymond-García & Vanina Starkoff

ISBN 978-84-9871-433-3

13,50

Esgotado

INFORMACIÓN
  • Páginas 36 págs.
  • Encuadernación cartoné
  • Medidas 25x23 cm
  • Publicación julho 2013

 

Karim semicerrou os olhos para ver ao longe:

via arbustos, borregos e cabras; mas não conseguia ver a mãe.

Karim ficou com um nó na garganta

e duas grandes lágrimas deslizaram pelas suas faces abaixo.

Olhou para um lado e para o outro: não sabia voltar…

 


Descrição

 

Karim semicerrou os olhos para ver ao longe:

via arbustos, borregos e cabras; mas não conseguia ver a mãe.

Karim ficou com um nó na garganta

e duas grandes lágrimas deslizaram pelas suas faces abaixo.

Olhou para um lado e para o outro: não sabia voltar…

 

Árvores no caminho transfere uma vez mais para a literatura infantil a facilidade com que os mais pequenos se podem perder mal largam a mão dos pais. Porém, se noutras histórias a criança se encontra num território hostil ou tenebroso, nesta, a mãe-natureza, poderosa e bela, protege e cuida de Karim como mais um dos seus filhos.

 

— A árvore vermelha deu-me força, a palmeira deu-me de beber, a mangueira deu-me de comer, o embondeiro, pão-de-macaco… Karim tranquiliza a mãe, quando esta, por fim, o encontra sob o embondeiro.

 

Régine Raymond-García decidiu escrever este livro ao regressar de uma viagem ao Burquina Faso. “Os seus habitantes fascinaram-me pela sua alegria de viver apesar das dificuldades, e por tirarem partido da natureza de um modo inteligente”.

 

Sem dúvida, esta viagem ajudou a autora a constatar a alta consideração que a árvore vermelha e o embondeiro têm entre os seus habitantes, e a decidir o facto de recair em ambos o protagonismo.

 

A árvore vermelha é o Mogno Africano (Khaya senegalensis), sob a qual se reúnem os sábios para tomar decisões. É conhecida como a árvore da palavra. É seguramente por isso que é a primeira a falar com Karim e a ajudá-lo.

 

O embondeiro é uma espécie tropical de africana, utilizada como lugar de reunião. Para além disso, é símbolo de resistência, tolerância, vida comunitária, longevidade – podem chegar a viver 3000 anos – e o seu fruto tem propriedades medicinais. O seu aspeto impressionante – há espécies que chegam aos 30 metros – confere-lhe um caráter protetor, o que justifica que no conto tanto a árvore vermelha, como a palmeira e a mangueira o escolham como idóneo para, junto da qual, Karim aguardar pela mãe.

 

Contudo, esta história não se centra apenas no amparo e na ajuda que a mãe-natureza oferece ao homem, como também adverte acerca da necessária reciprocidade por parte dos seres humanos. Estes devem exercer a mesma proteção e o mesmo respeito sobre o resto do ecossistema para garantir a sua sustentabilidade, tal como embondeiro alerta o pequeno Karim:

 

— Vais estar aqui quando eu for crescido? – perguntou Karim.

— Se ninguém me cortar, vou.

— E ainda darás de comer aos macacos?

— Se ninguém me cortar…

— E darás guloseimas aos meninos?

— Se ninguém me cortar… Vou-te contar um segredo: tudo está em equilíbrio… um equilíbrio perfeito, mas frágil!

 

Todos fazemos parte da natureza e somos importantes na mesma medida, como uma grande família em que todos cuidam de todos. E este papel é entendido imediatamente por Karim. Finalmente, esta aventura aporta-lhe uma grande aprendizagem vital, da qual a mãe – como decerto o leitor – se mostra orgulhosa.

 

Para a ilustradora Vanina Starkoff, trabalhar neste livro foi como fazer uma bela viagem pelas terras do Burquina Faso, lugar onde se situa o mercado que aparece no princípio do livro e que está inspirado no de Banfora.

 

Antes de iniciar as primeiras ilustrações efetuou uma intensa busca de imagens e música autóctone do lugar, que a acompanhou durante o processo criativo com a intenção de “mergulhar por completo nessas maravilhosas terras africanas”.

 

Desde o primeiro instante decidiu trabalhar com uma paleta de cores “saturadas, brilhantes e alegres” em acrílicos sobre papel. Contudo, algumas texturas e os desenhos em série foram feitos com técnicas digitais.

 

A ilustradora organizou a cor segundo os estados de alma e as emoções que Karim atravessava. Deste modo, predomina o amarelo e o vermelho nas cenas onde o pequeno se sente protegido, quer pelo amor e pela companhia da sua mãe quer pelo carinho e pela proteção que lhe brinda o embondeiro.

 

Os azuis-turquesas, na sequência onde se encontra perdido e dialoga com a árvore vermelha, a grande palmeira e a mangueira. A predominância de tons rosados e alaranjados (próximos do amarelo e do vermelho) representam no livro o carinho, a proteção e o amor, e surgem na sequência onde Karim descobre o embondeiro e dialoga com ele.

 

Pareceu interessante a Vanina Starkoff manter a morfologia real das árvores “para que as crianças possam ver como é que elas são realmente”. A integração de composições circulares nas ilustrações em duas sequências da história procura estabelecer um símile entre o momento em que Karim promete ao embondeiro que cuidará dele e o final, onde são as árvores que o protegem a ele e à mãe.
Texto de Régine Raymond-García

Ilustrações de Vanina Starkoff