Colecção Q

A minha primeira viagem

Paloma Sánchez Ibarzábal & Massimiliano di Lauro

ISBN 978-84-9871-429-6

15,50

Quantidade:
INFORMACIÓN
  • Páginas 40 págs.
  • Encuadernación cartonado
  • Medidas 22x28 cm
  • Publicación fevereiro 2013

Viajo feliz dentro desta nave.
TUM-TUM… TUM-TUM.
É o som dos motores.
Não tenho bússola nem mapas para me guiar.
Um dia abri os olhos e estava aqui,
em viagem para algum lugar.
Como cheguei eu até à minha cápsula? Não me lembro…
Para onde vou? Não sei…

 


Descrição

Viajo feliz dentro desta nave.
TUM-TUM… TUM-TUM.
É o som dos motores.
Não tenho bússola nem mapas para me guiar.
Um dia abri os olhos e estava aqui,
em viagem para algum lugar.
Como cheguei eu até à minha cápsula? Não me lembro…
Para onde vou? Não sei…

 

O que subjaz ao ato de nascer? A minha primeira viagem é a história do começo da vida humana narrada na primeira pessoa pelo protagonista: um bebé no ventre materno. Um bebé que viaja dentro do que ele perceciona como sendo uma cápsula na qual percorre um universo desconhecido. Sabe que iniciou uma viagem mas não sabe para onde. Dentro dessa nave, o bater do coração da mãe, que ele interpreta como sendo o som de motores, dá-lhe segurança.

 

Através de uma linguagem onírica e poética, o leitor vai acompanhando o bebé e fazendo sua essa viagem de transformação, de busca da sua própria identidade: “Não sou pássaro. Não sou peixe. Não sei muito bem o que sou”, percecionando com ele a interpretação de um mundo que não vê, que só lhe chega através “de um rio que o banha nas suas histórias”.

 

Paloma Sánchez cria metáforas que mergulham o leitor numa espécie de jogo e que nos permitem abandonar a lógica para nos deixar levar por sensações, através das quais se formulam grandes perguntas: para onde vamos?, De onde vimos?, O que somos?, O que é nascer?, Nascer é como morrer? Ao longo do livro vai-se intuindo um mundo onde há alegrias e tristezas. A partir da sua ótica particular, o protagonista compreende que “o choro é o idioma que se fala quando não se entende o mundo”. Percebe sensações como o medo, a dúvida, a curiosidade e também a esperança.

 

Mas um dia a nave estraga-se e ele é expulso. Sente medo: “que encontrarei lá fora? Se sair morrerei?”. De certo modo, o nascimento é vivido como uma experiência de morte naquele que foi o seu único paraíso conhecido: o ventre materno. Contudo, a viagem continua num novo universo em que ele já não está só, pois umas mãos esperam-no no final da queda.

 

 

Massimiliano di Lauro concebe, através da imagem, o ventre materno como uma nave espacial e o protagonista como um astronauta que inicia uma viagem até si mesmo e, por sua vez, até ao mundo exterior.

O ilustrador italiano criou imediatamente empatia com o texto: “chamou-me a atenção a sua doçura, o seu ritmo delicado e ligeiro, o original ponto de vista e a beleza das metáforas, que se traduziram para imagens na minha mente desde o primeiro momento”.

 

Daí a ideia de representar plasticamente um mundo flutuante, surrealista, intemporal, que pouco a pouco se vai materializando e ganhando forma. Di Lauro imagina o exterior através dos olhos do protagonista, representando uma realidade deliberadamente confusa, inocente e, em certas ocasiões, com jogos humorísticos provocados pelo próprio desconcerto do bebé-astronauta, que tenta construir um mundo que ainda não conhece. Para isso, combina desenhos a lápis com colagens de fotografias, que constituem um mundo interior e exterior que vai do sonho à realidade.

 

Nesta viagem sensorial, a ilustração, poética e subtil, dá forma e rosto às vozes e sons imprecisos que o bebé percebe, assim como as cores que começa a intuir: os raios de sol que penetram na sua nave.

 

A nível cromático, dominam os tons ocres, que se alternam com a poderosa presença do vermelho da vida: do bebé-peixe, do coração, da tesoura que o separa da mãe e o do seu próprio rosto ao nascer. O azul também tem protagonismo, ao representar tanto o céu como o meio aquoso por onde viaja e imagina o mundo.

 

Massimiliano di Lauro oferece-nos, nas folhas de guarda, um divertimento em forma de viagem marítima e aérea de Espanha até Itália, da igreja da Peregrina de Pontevedra até à catedral de Trani, a sua terra natal. A minha primeira viagem é a sua obra-prima.

 

Texto de Paloma Sánchez Ibarzábal

Ilustrações de Massimiliano di Lauro

Tradução de Elisabete Ramos